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Mahmundi, a menina que encontrou uma forma de mostrar o seu mundo para o mundo

Mahmundi se apresentou no primeiro dia do Festival Circadélica, em Sorocaba. (Foto: Julio Salvo / Divulgação)

Marcela Alves, carioca, criada em Marechal Hermes - no subúrbio do Rio de Janeiro. A garota que todo sábado e domingo juntava seus troquinhos e ia a uma lan house, encontrou no MySpace a forma de se expressar e mostrar ao mundo sua música, sua voz e todo o “Mundo de Marcela”. Online, ela começou a ser conhecida como Mahmundi.

Não era apenas no MySpace que construía seu mundo. Como não tinha um computador em casa, levava sempre com ela um pendrive - onde guardava tudo que gostava. Aos 18 anos ela descobriu um mundo novo, ou como ela mesmo diz, evoluindo. “Essa foi a forma que eu tinha pra romper algumas barreiras e não ficar só com o que me era oferecido naquele momento. A vida tinha muito mais que isso”, conta Mahmundi, sobre o início de sua carreira.


Mahmundi, se destaca na meio da música independente e atualmente faz parte do time de artista da Universal Music
(Foto: Julio Salvo / Divulgação)
Mas, o por que de Mahmundi? O mistério continua no ar. “Mahmundi, tenho um carinho enorme por esse nome, pelo que ele representou naquela fase. Era um olhar bonito que eu jogava para o mundo”, revelou. “Mahmundi sou eu, enquanto artista, com a vontade de ser plural, de me conectar com o mundo inteiro”, revelou.

Quando falei que eu queria que ele (Mahmundi) fosse meu nome artístico, muita gente disse que não daria certo. Mas pra mim, não é o nome que faz dar certo e sim o que se traz no nome

Ela construiu o nome que agora, aos 30 anos, é uma das mais célebres artistas na sua geração - com dois EPs e um CD totalmente independente lançados. Porém, Mahmundi ainda sentia falta de algo. “Eu precisa me entender profissionalmente”. Foi na busca pelo autoconhecimento que trocou o calor do Rio de Janeiro pelo tempo louco de São Paulo. Alugou uma quitinete e revelou que quando se mudou, se sentiu muito solitária. “Com o tempo fui fazendo novos amigos, ganhei uma nova percepção das coisas, e tudo se transformou”, conta. “Esse papo de que não existe amor em SP é caô”, brincou.


"Imagem", novo single da cantora fez parte do setlist para o Festival Circadélica (Foto: Julio Salvo / Divulgação)
Ela se encontrou de uma forma única, percebendo que a música vai muito além dela e abraçou a oportunidade. Mahmundi, que nasceu no selo independente, continua agora com a Universal Music. “Encontrei pessoas dispostas a embarcarem no meu som, me motivando, contribuindo para que fique melhor”, disse agradecida. Sobre os novos projetos, Mahmundi revelou que em breve teremos um novo EP -  no momento, ela trabalha com seu novo projeto, o “Imagem”. “Ah, a palavra do momento é colaboração. E ‘Imagem’ mostra isso. É resultado dos encontros que tive com a gente nova e amigos antigos. É uma nova etapa que começa, quero que a minha música abrace as pessoas”, revelou.



As suas inspirações vem de diversas formas, como na canção ‘Hit’. “Compus enquanto lavava louça na casa da minha mãe”. Em seu processo de criação ela inicialmente cria a melodia e só depois coloca a letra. “As palavras vão se encaixando, vejo se a frase é coerente”. Então, entram os reverbs, efeitos e delays. “Eu não abro mão dos elementos. A tecnologia foi um super avanço. Em casa, é você, seu fone e todo o tempo do mundo pra criar, sem aquela pressão do estúdio”, contou. “Sempre admirei artistas que se preocupam com a estética da música, como Jorge Ben Jor, sabe?”. Em sua lista de influências e inspirações, ela revelou nomes como Clementina de Jesus e Chiquinha Gonzaga. “Ela (Chiquinha) sabia lidar com emoção, acorde, som, melodia. Tudo nela passa por esse lugar, o estar atento às necessidades da canção”.

Mahmundi acredita que seu futuro seja longo, que o ‘Mundo de Marcela’ será próspero. “Quero inspirar pessoas a caminharem para frente, mesmo que o Brasil esteja virado, com tanto ódio e confusão. A música abraça”, finaliza.

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