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Canal das Bee, a militância no Youtube dando um "xô" nos preconceitos


Oh, abre alas que a bandeira colorida, as abelhas e o amor vão passar!

Um passo grande nunca é fácil (em qualquer hipótese) e para quem faz parte da comunidade LGBT no Brasil essa atitude é mais complicado do que se imagina. Visivelmente os tempos mudaram mas a cultura machista e o estranhamento de muitos continuam. Com a missão de quebrar todos os paradigmas, o Canal das Bee vem lutando contra o preconceito, a transforia, bifobia, lesbofobia e o machismo.


(Foto: Fernanda Atayde | Nós Diversos)

O E aí, POP? marcou presença no último debate realizado pelo Nós Diversos (clique aqui e conheça esse projeto incrível) que teve a participação do maior canal LGBT do Brasil, o Canal das Bee. Conversamos com Jéssica, Débora, Herbet e Mola.

O canal surgiu quando Jéssica Tauane, formada em Comunicação de Multimeios, precisava realizar o seu trabalho de conclusão de curso na PUC São Paulo em 2012. Ela pensou em algo voltado à sua orientação sexual e a necessidade de quebrar os tabus da sociedade.
A homossexualidade ainda é um assunto que gera muita discussão nos tempos atuais e a crescente homofobia existente no mundo e, principalmente, no Brasil, preocupa a todos os cidadãos que lutam pela igualdade de direitos e proteção à vida e bem-estar humano
(Página 5, Resumo – Canal das Bee: O Youtube como plataforma para o ativismo LGBT)

Jéssica Tauane e Herbet Castro (Foto: Fernanda Atayde | Nós Diversos)

Jéssia conta que durante todo o processo de produção do Canal, ela acabou encontrando a necessidade de ter uma equipe junto com ela. “Se eu criasse (o canal) sozinha seria uma visão muito unilateral”, conta. Se vendo em frente a essa necessidade, começou a divulgar o projeto nos grupos LGBT no Facebook e marcou uma reunião. “Muita gente queria, então fiz uma reunião em um lugar bem longe pra ver quem iria”, brinca e assim surgiu a primeira equipe do Canal das Bee – o do TCC. 

A equipe realizou algumas reuniões para decidir quais vídeos seriam produzidos e quais entrariam para o trabalho, sendo que o primeiro vídeo produzido e liberado no canal.

O trabalho foi aprovado (PARABÉNS, JÉSSICA <3) e o Canal continuou  com diversos quadros e a equipe se reformulou. “Eu assisti um vídeo do canal, era um dos primeiros. Acho que foi o Especial de Verão e pensei comigo mesmo: ‘eu quero ser amigo deles’ e olha só o eu to agora” conta Débora Baldin, antes de ser convidada para participar do grupo.



(Essa foi a primeira participação da Débora no Canal <3)

Débora é formada em Relações Internacionais pela PUC-SP e revela que no canal ela usa muito do que aprendeu na faculdade porque “boa parte da minha formação básica foi em sociologia.”. “Tudo que eu aprendi sobre comunicar eu aprendi no canal, porque eu tenho a base e eles sabem como passar” revela.

Herbet Castro (Oclécio Herbet ou Robert) faz parte da equipe desde 2013. O cearense  contou que o canal é muito mais que o seu trabalho, é uma forma de ajudar o outros a mostrar que as pessoas da comunidade LGBT são aceitas e normais perante a sociedade. Herbet revelou que sua família (que mora no Ceará) não o aceita por ser homossexual, mas em outro ponto a sua tia (que ele considera como sua mãe) residente em São Paulo, o aceita. “O que a gente quer é ser aceito, ainda mais pelos nosso pais” comenta após contar sobre sua vida. O “secretário” – como a equipe o chama carinhosamente, faz toda a produção do vídeos do canal e apareceu a primeira vez em frente as câmeras, no primeiro Hangout realizado em maio (mas todo mundo já o conhecia).


(Herbet, desde sempre esbanjando amor <3)

Já o jornalista, Luiz Fernando Araújo, conhecido como Mola, está na internet há muito tempo. Antes mesmo de entrar no time do Canal das Bee, o jornalista formado na Unesp Bauru é o dono da página (incrível!) “Moça, seu namorado é gay!”, onde conheceu o canal e foi a primeira página (grande, como Jéssica mesmo conta) a compartilhar os vídeos das Bee. Mola é participante ativo do canal desde 2014 mas antes de entrar na equipe, ele já foi convidado para participar do quadro “Pergunte as Bee” e do vídeo “Desafio Just Dance – Gay vs. Lesbica”:


(Primeiro vídeo do Mola – ainda como participação do canal, a paixão da redação 
[teve até um grito de pedido de namoro aqui]!)

O paulistano que já morou em diversos lugares, contou que o primeiro contato com o Canal das Bee (pessoalmente) foi num evento do YouPix e quase desmaiou quando encontrou as meninas. Após isso surgiu os convites de participação em alguns vídeos e por fim a vaga na equipe. “Eu não sabia o tanto que iria aprender no canal. Minha vivência gay aumentou e mudei muito o meu olhar, achava que sabia tudo, mas não.”, acentua Mola sobre a importância do canal.


Mola e Débora Baldin (Foto: Fernanda Atayde | Nós Diversos)

Com quase 4 anos de história, o Canal das Bee se tornou o principal canal para a comunidade LGBT do Youtube Brasil, contando com mais de 200 mil inscritos (abelhas, como eles chamam carinhosamente). Com uma luta diária, a equipe do Canal das Bee revelou que o material que eles produzem “é para colocar o dedo na ferida e se não gostar, pula fora.”, a meta de cada material publicado é para instrumentalizar o básico e que a pessoa vá em busca de mais.

“A maior militância que a gente tem é no dia a dia, fazer a diferença é lutar todos os dias. Devemos começar a observar as coisas e se incomodar com isso”, finaliza Débora Baldin sobre o trabalho que não é somente o canal no youtube.

Mas porque Bee?
Jéssica Tauane, explica que existem três fatores por esse nome:
1 – “Bee”, é um tempo de identificação gay;
2 –  O termo já dá uma identidade visual, porque o termo significa abelha em inglês;
3 – A ideia conceito de que “uma abelha sozinha não produz mel”, traz aos homossexuais a ideia de que se quiserem que a homofobia seja amenizada, é necessário união.

Eles fazem a diferença
Em algumas entrevistas após o debate, o E aí, POP? encontrou diversos estudantes que tiveram o Canal das Bee dentro de suas vidas. Grande parte comentou sobre o empoderamento e a autoconfiança que os vídeos do canal realizaram na vida de cada um. “Eu não me aceitava, achava que existia algo errado até que um dia na recomendação do Youtube encontrei o vídeo “Amor” e percebi que não era estranho e como eles falam, “o amor é livre”.”, conta a estudante Louana Rosa.

“Eu me empoderei, vi que não estava sozinha, agora eu faço parte da colmeia” diz a estudante de dança Juliana Cartole ao ser questionada sobre a importância do Canal das Bee na sua vida. “Eu vi que a homossexualidade não é nenhum problema, eu agora me amo.”, comenta o estudante de publicidade, Julio Mesck.

“Durante a palestra eu acabei me emocionando, eu percebi que eu sou normal, que não devo me esconder pra sociedade e sim abraçar a causa e mostrar como eu realmente sou”, revelou o estudante de arquitetura, Cláudio Araújo.
Além do evento, fomos a busca de outras opiniões na internet e no twitter (obrigado, Lary <3) encontramos alguns comentários de usuários que assistem o Canal das Bee (estamos emocionados!):

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