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A fita cassete está voltando ao Brasil!

Coloca aquela do Bob Dylan!

Lembra quando você era criança e detonava as fitas do seu pai só por diversão? (Eu lembro e eu fiquei de castigo)
Depois de um bom tempo jogadas num canto, junto com os discos de vinil, as fitas cassete estão voltando. Muitos disseram que era o fim para as pobrezinhas, que o mp3 ia dominar o mercado, que isso era coisa de gente velha e relíquia de museu (eu me ofendo até hoje, e olha que nem velha eu sou). Mas graças a uma galera, elas vão estar de volta aos nossos players. Para nossa alegria.

A ideia veio do estúdio FlapC4, de São Paulo. Fernando Lauletta, um dos sócios do estúdio, conversou com a equipe do E aí, POP e contou que a inspiração veio do gosto por equipamentos vintage, como gravadores analógicos, preamplificadores e microfones das décadas de 50 a 80. Esses materiais proporcionam um som de alta qualidade, que acabou cativando os clientes do estúdio. Assim, decidiram investir na comercialização da música num formato diferente. De início pensaram no vinil, mas devido ao custo final de cada cópia ser um pouco caro, optaram pela fita cassete.

Após ajudarem numa produção artesanal no ano passado, decidiram investir numa máquina duplicadora – acelera o processo de duplicação das fitas, ao invés de fazer uma a uma. Encontraram uma que estava há mais de vinte anos parada, mas num ótimo estado. Compraram e desde então estão se aventurando no mercado. Por falar em mercado, quem mais se interessa por esse tipo de material é o cenário alternativo. Música eletrônica, rap, metal, rock alternativo e muitos outros estilos preferem este tipo de gravação. Segundo Fernando, existem alguns selos especializados que só vendem suas músicas via cassetes. “É um formato que as bandas conseguem vender bem nos shows e complementam a renda”, explica.

Agora eu posso voltar a enfiar a caneta bic pra rebobinar a bonita

Quando questionado sobre a qualidade do áudio, se comparado a um CD ou arquivo mp3, ele explica que o que manda é o seu player. Se você estiver ouvindo num player de baixa qualidade, mesmo digital, não vai perceber a diferença. A fita cassete pode ter uma ótima qualidade, comparada ao CD, se for tocada num bom player. Ele complementa que mesmo buscando uma qualidade superior na hora da duplicação das fitas, o consumidor acaba aproveitando pouco por utilizar um player de baixa qualidade.

Os materiais necessários para a produção são difíceis de conseguir. Ele conta que não foi fácil encontrar um fornecedor fora do Brasil, além de arcar com os gastos em impostos e taxas de importação. Sobre o custo do produto final, Fernando explica que ainda não tem um valor definido. “Estamos finalizando a manutenção da máquina e esperando chegar o primeiro lote de fitas do exterior, então ainda não temos os valores e prazos fechados. Mas nossa intenção é chegar num preço entre R$10,00 a R$13,00 por fita, com material gráfico”, diz. Ele também comenta que terão um número baixo para quantidades mínimas, em respeito à galera underground que trouxe o cassete de volta.

Sobre a expectativa no mercado, ele diz que é de crescimento. Seguindo o que acontece fora do Brasil, a ideia é fixar o cassete ao lado do vinil como uma opção bacana pra se ouvir música.

Aos artistas que se interessarem em gravar no cassete, podem falar com o Fernando pelo e-mail contato@flapc4.com


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